sábado, 27 de junho de 2009

Os Grandes Projetos na Amazônia

Os grandes projetos começaram a serem implantados na Amazônia desde o regime militar, quando a discussão a respeito da soberania nacional frente às ameaças externas, que estão relacionadas às instabilidades na fronteira amazônica, provocada pela iminência de movimentos guerrilheiros junto à fronteira.
Nesse sentido o Estado buscava convencer a sociedade de que somente os grandes projetos garantiriam a soberania nacional(segurança para o desenvolvimento).O governo brasileiro, então, face às “ameaças externas”, leia-se nesse contexto os comunistas, adotou o seguinte slogan: “ Integrar para não entregar”.
A visão divulgada pelos meios de comunicação de massa seria a de que a Amazônia era fonte inesgotável de recursos naturais destinados à exportação. Nesse sentido pretendia-se aplicar à lógica mecanicista a todo vapor, como se pode verificar na visão cartesiana, segundo a qual toda a natureza se reduz à matéria, sendo assim o ser humano dotado de razão, deveria tornar-se possuidor e mestre da mesma, assumindo assim conduta inteligente.
Porém, a Amazônia até o período da década de setenta, ainda não dispunha da infra-estrutura necessária para implantação dos Grandes Projetos, foi quando ocorreu o primeiro plano nacional de desenvolvimento, que visava a abertura de eixos rodoviários na Amazônia e ao longo destes promover o assentamento de colonos que advinham de regiões que apresentavam tensões pela posse de terra, como no caso do nordeste brasileiro.
Segundo a professora Bertha Becker, as ações implementadas pelo Estado se desenvolveram em dois sentidos:uma no sentido de implementação de uma infra-estrutura técnica que fosse capaz de preparar a Amazônia para receber as empresas e os camponeses e outra no sentido de, aumentar o poder de gerenciamento do Estado dentro da região.
Os camponeses foram trazidos para a região com a intenção de servirem como mão de obra barata aos projetos, em sua maioria mínero-metalúrgicos, confirmando assim, a lógica mecanicista que fora implantada na região,segundo a qual um corpo vivo não passa de uma mecânica aprimorada por um artesão divino.E, junto com a lógica mecanicista vem a idéia do homem-máquina.
O homem-máquina será parte integrante da maquinaria utilizada nas empresas, exercendo movimentos repetitivos durante várias vezes no decorrer do dia.
A função desempenhada pelo trabalhador no modo de produção capitalista atende somente as necessidades do mercado, desse modo ocorre à capitalização do trabalho e como “... capital, o valor do trabalhador varia conforme a oferta e procura...”(Marx), ocorrendo desta forma a banalização do trabalho.

O referido artigo procurou desenvolver a visão crítica necessária, fazendo relações necessárias ao melhor entendimento do leitor, apresentando uma postura crítica diante da capitalização tanto do trabalho humano, quanto da natureza.

Podemos concluir que, a classe dominante é muito bem representada pelo Estado, pois este criou subsídios para a instalação dos Grandes Projetos e através dessa permissividade do Estado vem moldando seus interesses segundo a dinâmica de exploração dos recursos naturais, bem como a exploração humana, todo o processo buscando, é claro, extrair o máximo lucro possível, obtendo a classe dominante no Estado o seu grande gerenciador das desigualdades sociais, criadas a partir de um ambiente propício: projetos desenvolvimentistas para a Amazônia.
O grande desafio da sociedade brasileira é como fazer com que o dinheiro dos subsídios encontre os pobres, para vencer a desigualdade e, não simplesmente, desenvolvendo grandes projetos.

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